Resenha: O meu melhor amigo é gay, por Dielson Vilela

outubro 16, 2017


TÍTULO: O meu melhor amigo é gay
AUTOR: Dielson Vilela
QUANT. DE PÁGS: 250
EDITORA: Coerência
ONDE COMPRAR: Loja da Editora
 NOTA: (5/5) + FAVORITADO

Sinopse: “Carlos e Márcio são dois amigos de longa data. Um dia, um acontecimento leva Carlos a descobrir que o seu melhor amigo, Márcio, é gay. Ele se vê paralisado diante dessa revelação. E, agora? Em meio a essa surpresa, Carlos se torna testemunha de um crime covarde, e decide criar um blog para narrar as angustias que o sufocam. Nesse processo, ele se depara com a violência motivada pelo preconceito que traz como vítimas vários segmentos considerados minorias pela sociedade. Ao Ler 'o meu melhor amigo é gay', nos deparamos com aventuras, perigos, brigas, reencontros e uma boa pitada policial que fazem do livro uma narrativa realista, fácil de ser lida, compreendida e vivenciada pelo leitor como sendo parte integrante da história, independente da sua condição sexual, religiosa, cultural ou ideológica. ” 

Olá meus amores.


Hoje trago a resenha do livro “O meu melhor amigo é Gay” do autor Dielson Vilela. Ele foi cedido em parceria com a Editora Coerência e já adianto que me causou fortes emoções e, não vou negar, boas lágrimas. 

Já tarde da noite, Carlos caminhava no Parque Treze de Maio para chegar ao ponto de ônibus que o levaria até sua casa. Prestes a presenciar uma das piores cenas de sua vida, vê um grupo de homens que escondiam a face cercando e dizendo coisas incrédulas para um mendigo, que estava apenas vivendo sem atrapalhar ninguém, e que infelizmente, teve um fim trágico. Apavorado, caminhou cambaleando até um taxi que o levou embora, e chegando em sua residência, desabou no colo da mãe. Os jornais transmitiram reportagens que retratavam o ocorrido, e a vontade de Carlos era ir à delegacia para prestar depoimentos, mas como sua mãe ficou com medo de que isso pudesse ser perigoso, pois achava que a segurança do nosso país é precária, acabou ficando e vendo aquilo sem poder se manifestar.
Márcio é o melhor amigo de Carlos, mas por conta de alguns atritos, estavam sem se falar. Tudo ocorreu quando estavam em uma festa com seus colegas de turma, para comemorar o fim dos vestibulares. Como em toda festa de adolescentes, a bebida era livre, e algumas pessoas já estavam mais alteradas que o normal. Guilherme – dono do recinto onde estava acontecendo o festejo – passou a oferecer cocaína para os convidados e além daquilo poder gerar altas confusões com seus pais, Guilherme entrou em clima de guerra com Márcio, que achava tudo aquilo uma tremenda irresponsabilidade.
Durante o desenrolar dos fatos, todos acabam descobrindo que Márcio sente desejo por meninos, ou seja, é homossexual. Isso desencadeia intolerância de muitos amigos, e o pior de tudo, seu melhor amigo se mostra totalmente preconceituoso e não aceita aquilo. O pai de Márcio o expulsa de casa, pois mantém a tese de que criou seu filho para ser “macho” e não uma “bichinha”. Isso deixa Carlos preocupado, pois uma quadrilha de marginais está matando todos que se dizem diferentes e fora dos padrões – Gays, Transexuais, Mendigos, travestis e outros. Logo, se vê escrevendo para seu blog que cujo nome é “O meu melhor amigo é gay”, e é nesse espaço que ele pode desabafar e jogar para fora tudo o que se passa em sua cabeça.
Intolerância é encontrada em cada beco existente, a cada passo que damos, uma pessoa preconceituosa respira o mesmo ar que nós. Esse livro está no momento certo para ser lido por todos, justamente pelos acontecimentos que nasceram há alguns dias atrás, a Cura Gay.

“Você nunca vai saber como é se sentir totalmente sozinho no mundo e pensar em tirar sua própria vida por achar que as pessoas preferem vê-lo morto a ter que lhe aceitar e respeitar do jeito que você é”



Quantas pessoas sofrem diariamente por não estarem ao lado do amor de sua vida, por estarem casados obrigatoriamente com quem não quer apenas para dar felicidade à família, ou até mesmo se matando por se sentirem exclusas dos padrões que a sociedade impõe. O autor desse livro conseguiu retratar esses fatos de uma maneira tão singela e direta, que me impressionou. Livros da temática LGBTQ sempre foram meu forte, mas esse ganhou favoritado e garantiu um espaço dentro de mim.

Alguns personagens secundários me torturaram com tanto preconceito, que tive que parar a leitura diversas vezes para respirar e deixar passar a vontade de xingar o mundo pelas atitudes impensadas que os seres humanos tomam. Personagens que eu dava tudo para serem perfeitos me desapontaram pelos atos de intolerância, como por exemplo, o próprio Carlos.

A morte do morador de rua fez com que Carlos deixasse de pensar dessa maneira e passar a acreditar que a diversidade TEM OBRIGATORIAMENTE que existir. O autor teceu um comentário que me agradou, no qual se baseia na ideia de que o nosso criador já nos fez assim por escolha dele mesmo, então, a Homossexualidade dos seres não devem serem taxadas como pecado. Pecado é você, seus pensamentos hipócritas e preconceituosos.

Você, que é intolerante, que não aceita as diferenças e chora para que todos sejam iguais ao embuste que é, deve imediatamente ser analisado e enviado para pesquisa, pois não é desse mundo, você está habitando o lugar errado, já está no momento certo de pegar suas tralhas e sumir no universo.

Cada personagem criado por Dielson tem uma construção esplendida. Ensinamentos e lições de vida são passados por eles, e eu acredito que todos os intolerantes de plantão deveriam ler essa obra, para atualizarem suas mentes e entenderem que já estamos no século vinte e um, tempo de acabar com o preconceito.
Me senti incluso na história, pois o autor descreveu lugares que ele mesmo frequenta, como a Praça Treze de Maio, fazendo com que o leitor se sinta ao lado de todos os acontecimentos. Ele escreve de uma maneira que te cativa, que não te deixa tirar os olhos da página. Foi uma leitura de domingo iniciada e encerrada no mesmo dia, com algumas lágrimas como brinde.

Vou ficando por aqui na resenha de hoje, espero muito que tenham gostado e que eu tenha conseguido persuadir vocês a lerem esse livro, até mesmo porque todos nós temos um MELHOR AMIGO QUE É GAY. 

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2 comentários

  1. Não tenho um melhor amigo gay mais tenho uma melhor amiga bissexual haha todos tenho o direito de ser que quer ser se sua natureza é essa uma hora ou outra todos vão saber e fim de papo gostei da resenha e adorei o desabafo

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  2. Ganhei este livro num dos sorteio do Insta, estou louca para ler assim que terminar o atual.

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